Globo Ciência entrevista Dr. Marcel Coloma sobre tratamento antitabagismo

24 ago

Tratamentos contra o fumo incluem medicamentos e terapia cognitiva

Médico dá dicas para parar de fumar e aponta quais as melhores terapias

Fumo (Foto: Thinkstock/Getty Images)
Parar de fumar não é das tarefas mais fáceis. Os motivos são vários, já que o cigarro cria diversos tipos de dependência, desde a química à psicológica e comportamental. Para se ter uma ideia do estrago causado pelo tabagismo, a fumaça do cigarro carrega nada menos do que 4.700 substâncias tóxicas, que trazem sérios riscos à saúde. Além da nicotina, que causa grande dependência, e do monóxido de carbono, a fumaça emitida pelo cigarro possui, elementos radioativos, como o polônio 210 e o cádmio, presente nas baterias dos carros. Só o alcatrão, por exemplo, é composto por mais de 40 substâncias cancerígenas, sendo que, entre elas, algumas são usadas para fazer veneno de rato.

Segundo estatísticas divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), os fumantes, comparados aos não fumantes, apresentam risco dez vezes maior de adoecer de câncer de pulmão, cinco vezes maior de sofrer infarto, bronquite crônica e enfisema pulmonar, e duas vezes maior de sofrer derrame cerebral. No caso das mulheres, o uso de anticoncepcionais em conjunto com o cigarro aumenta em dez vezes o risco de sofrer derrame cerebral e infarto. Já nas grávidas que fumam, o risco de ter aborto espontâneo aumenta em 70%; de o bebê nascer prematuro em 40%; ou abaixo do peso em 200%.

Mesmo com tantos malefícios causados pelo cigarro, por que muitas pessoas ainda fumam? O médico cardiologista Marcel Coloma, diretor de uma clínica especializada no tratamento do tabagismo, explica que um dos principais fatores que fazem o cigarro viciar é a presença da nicotina. “Quando a nicotina se liga ao cérebro, são liberadas substâncias, como a dopamina, responsável pela sensação de prazer”, ressalta Marcel.

Tratamento inclui da medicação ao acompanhamento psicológico

No que diz respeito ao combate ao fumo, o cardiologista explica que o tratamento médico se baseia em duas frentes: uso de medicação associado às terapias psicológicas que visam a mudança de hábito nos pacientes. Segundo ele, existem três tipos de medicação que atuam contra o tabagismo. São eles os adesivos que repõem a nicotina no organismo, e os medicamentos tomados via oral, como a bupropiona, que atua como um antidepressivo. “Além disso, temos a vareniclina, uma medicação mais moderna, que inibe o prazer proporcionado pelo cigarro aos fumantes. Ou seja, ele é um antagonista da nicotina”, detalha o médico.

Até parar de fumar, o especialista explica que o fumante passa por algumas fases motivacionais. Existe a fase da ambivalência, na qual a pessoa identifica que precisa parar de fumar, mas não sabe quando. Há a fase da preparação, em que o fumante estipula uma data para começar o tratamento e, depois, a etapa da ação, na qual ele coloca em prática o que planejou. Por último, há a fase da manutenção. “Normalmente, para dizer que uma pessoa é um ex-fumante, é preciso que ela esteja sem fumar durante um ano. Após esse tempo, dificilmente ela volta a fumar, pois as recaídas ocorrem antes disso”, conta o cardiologista.

Tecnologia no combate ao tabagismo

Dentre os aliados tecnológicos contra o tabagismo, está o cigarro eletrônico, também conhecidos como e-cigarette, dispositivo que simula um cigarro de verdade. Ele funciona à bateria, podendo ser carregada via USB, que alimenta o nebulizador, responsável por transformar em vapor o líquido que está armazenado dentro do aparelho. Nele, podem estar contidas essências e, até mesmo, nicotina. Alguns modelos possuem uma lâmpada de led na ponta para representar a brasa. Apesar de os fabricantes alegarem que o cigarro eletrônico não faz mais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não permite a comerciação desse tipo de produto no Brasil.

Cigarro eletrônico (Foto: Divulgação)O cigarro eletrônico pode ser carregado via USB
(Foto: Thinkstock/ Getty Images)

“Ainda há poucos estudos sobre o cigarro eletrônico, pois é um aparelho muito recente, produzido inicialmente na China. Segundo algumas pesquisas, o uso do cigarro eletrônico pode irritas as vias áreas, porém, acredita-se que ele possa fazer menos mal do que o cigarro comum, que tem mais de quatro mil substâncias nocivas à saúde”, lembra Marcel.

Outra solução que pode ajudar os fumantes a largarem o cigarro está ao alcance das mãos. Trata-se do iCoach, um aplicativo para celular, desenvolvido tanto para as plataformas iOS (iPhone) quanto para Android, que analisa os hábitos de quem quer parar de  fumar, fornecendo conselhos personalizados diariamente. O aplicativo funciona como um assistente de saúde digital gratuito, sendo que mais de 200 mil europeus já aderiram ao programa.

Outro aliado interessante contra o tabaco é o chiclete de nicotina, que pode ser mascado nos momentos em que surge o desejo de fumar, sendo útil também quando os sintomas de abstinência do cigarro aparecem. Mesmo com tanta tecnologia, Marcel recomenda que o mais eficaz para parar de fumar é buscar ajuda médica especializada.

Largando o hábito de fumar

O Inca recomenda ao fumante que deseja parar de fumar a redução gradual, em um período de uma semana, do número de cigarros consumidos.

Por exemplo: uma pessoa que fuma 30 cigarros por dia:
– no primeiro dia, ele fuma os 30 cigarros usuais;
– no segundo 25;
– no terceiro 20;
– no quarto 15;
– no quinto 10;
– no sexto 5;
– o sétimo dia seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia sem cigarros.

O Inca recomenda também retardar a hora do primeiro cigarro. Por exemplo:
– no primeiro dia, a pessoa começa a fumar às 9 horas;
– no segundo às 11 horas;
– no terceiro às 13 horas;
– no quarto às 15 horas;
– no quinto às 17 horas;
– no sexto às 19 horas;
– o sétimo dia, seria a data para deixar de fumar e o primeiro dia sem cigarros.

 

Fonte: http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2013/08/tratamentos-contra-o-fumo-incluem-medicamentos-e-terapia-cognitiva.html

3 Comentários

  1. Eliane Caruso

    Estas recomendações do INCA e outras deste site , são ótimas e certeiras .
    Já são 3 anos que não fumo.
    Engordei um pouco mas foi porque não segui os conselhos do Dr. Marcel…Passei a comer mais e parei de fazer exercícios.
    Um dia , acerto minhas contas com a balança !
    Felicidades , Dr Marcel !
    Beijos.

    • Dr. Marcel

      Mais uma vez parabéns pelo seu sucesso, Eliane. Já é comprovado que é melhor engordar um pouco do que continuar fumando. E a tendência é o peso voltar ao normal ao controlar a alimentação e praticar exercícios. Estarei aqui sempre para lhe ajudar. Grande beijo.

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